A técnica em Heidegger e McLuhan

A procura de mediação entre o Homem e o que o rodeia é essencial no desenvolvimento cultural. Segundo Vasconcelos e Sá, “A procura de figuras da mediação é […] sinónimo da procura de um caminho, de uma organização que permita estruturar e estabilizar visões do mundo organizadoras da experiência.” (2001:124)

A tecnologia é um elemento importante neste processo de mediação. Estes recursos semióticos são utilizados, ou podem ser utilizados, pelo sujeito para comunicar, para construir sentido, num determinado contexto espácio-temporal, público e/ou privado. A tecnologia suporta esta mediação público e/ou privada. (Vasconcelos e Sá, 2001:124) É importante salientar que esta divisão entre esfera privada e esfera pública é algo que tende a desaparecer com o advento da modernidade. No entanto, é na pós-modernidade que a fronteira se torna extremamente ténue. Segundo Bauman, “Ehrenberg, sociólogo francês, afirmou que, em sua opinião, a revolução pós-moderna começou numa quarta-feira à noite, num Outono da década de 1980, quando uma certa Vivienne, uma mulher comum, na presença de 6 milhões de espectadores, declarou nunca ter tido um orgasmo durante o seu casamento, porque seu marido, Michel, sofre de ejaculação precoce.” (2011) Bauman defende que o que marca a diferença entre a era moderna e a era pos-moderna é o facto de a Ágora -o espaço público, o colectivo- ter sido conquistada pela privacidade, pelo individual. (Cruz, 2012:37) Continue reading »

Heidegger, a técnica e o Diário Gráfico – Parte II/II

A passagem para a noção de produção é feita através de uma citação de Platão em que este refere “Todo deixar-viger o que passa e procede do não-vigente para a vigência é […] produção”. (HEIDEGGER, 2002:16) Associa-se assim os 4 modos de dever e responder à produção e ao produzir, à atividade e ao acto, ao verbo.

Um aspecto importante que o autor salienta é o facto de a produção e o produzir estarem não só associados ao objecto -confeccionado pelo artesão ou criado pela arte- como também aquilo que cresce na natureza. Sendo assim algo transversal à própria oposição de Natureza/Cultura.

O deixar-viger está associado à vigência do objecto, à sua materialização e apresentação. Neste contexto o autor associa produção ao processo de revelação, ao desencobrimento, ao tornar visível algo que estava oculto. É neste processo surge a noção de “verdade” sendo aqui entendida como “… o correto de uma representação.” (HEIDEGGER, 2002:16)

Este percurso que Heidegger faz pela instrumentalidade e causalidade serve o intuito de chegar mais perto daquilo que é a técnica. Segundo o autor, é no desencobrimento, neste processo de revelação, de tornar visível, de chegar à verdade, que se funda toda a produção. “Se questionarmos, pois, passo a passo, o que é propriamente a técnica conceituada, como meio, chegaremos ao desencobrimento. Nele repousa a possibilidade de toda elaboração produtiva.” (HEIDEGGER, 2002:17) Continue reading »

Heidegger, a técnica e o Diário Gráfico – Parte I/II

Heidegger começa por afirmar que a procura da essência de algo está associada à questão do que é esse algo e, neste sentido, colocando a questão de o que é relativamente à técnica, o autor começa por avançar com a determinação instrumental e antropológica da técnica que diz que este é, por um lado, um meio para um fim e, por outro, uma actividade do Homem. (2002:12)

Instrumento e actividade estão ambos interligados em que um está ao serviço do outro. No contexto da comunicação, em particular, da semiótica social de Theo Van Leeuwen, a técnica enquanto instrumento está associada a própria noção de recurso semiótico. Segundo Leeuwen (2005:3), recursos semióticos são as acções e/ou artefactos que utilizamos para comunicar, quer sejam produzidos fisiologicamente (sistema vocal, musculos para criar expressões faciais ou gestos, entre outros) ou tecnologicamente (caneta, tinta e papel; com hardware e software, com tecidos tesouras e máquinas de costura, entre outros).

Para Heidegger, a procura da essência prende-se com procura da verdade. Assim sendo, apesar de a determinação instrumental e antropológica da técnica ser correcta, ela não esta ligada forçosamente à descoberta da essência, da verdade. “… o simplesmente correto ainda não é o verdadeiro.” (HEIDEGGER, 2002:13) Continue reading »

do registo privado à esfera pública

do registo privado à esfera pública
Mestrado em “Comunicação na Era Digital: Estratégias, Indústrias e Mensagens” com uma dissertação intitulada “Do Registo Privado à Esfera Pública: O Diário Gráfico enquanto meio de expressão e comunicação visual”. Foi um longo percurso…

Obrigado a todos os que apoiaram este projecto em especial ao Prof. Doutor Alexandre Valente Sousa, ao Prof. Doutor Fernando Faria Paulino, à Filipa Bárbara Cordeiro, à Ana João Silva, ao Eduardo Salavisa e ao Mário Linhares.

Obrigado também ao júri a que tive direito (foi uma honra):
Prof. Doutor Alexandre Valente Sousa (Doutor em Ciências de Computadores, Director do Departamento de Ciências da Comunicação e Tecnologias da Informação e coordenador do Mestrado em Comunicação Multimédia no Instituto Superior da Maia – ISMAI).
Prof. Doutor Fernando Faria Paulino (Doutor em Antropologia Visual, Coordenador da Licenciatura em Tecnologias de Comunicação Multimédia no Instituto Superior da Maia – ISMAI).
Prof. Doutora Olívia da Silva (Doutora em Fotografia, Coordenadora do Mestrado em Comunicação Audiovisual na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo – ESMAE).
Professora Catedrática Catherine Saouter (Catedrática em Semiologia, Universidade do Quebec, Montreal, Canadá – UQÁM)
Prof. Doutora Célia Vieira (Doutora em Literatura Comparada, Directora do Centro de Estudos de Língua, Comunicação e Cultura – CELCC – e coordenadora da Licenciatura em “Artes e Multimédia” no Instituto Superior da Maia – ISMAI).

O Diário Gráfico enquanto recurso e discurso semiótico

estudos de língua, comunicação e cultura
o diário gráfico enquanto recurso e discurso semiótico
Publicação do artigo “O Diário Gráfico enquanto recurso e discurso semiótico” nos Cadernos Universitários nº7, Estudos de Língua, Comunicação e Cultura III, Célia Vieira (org.), Edições ISMAI (Instituto Superior da Maia).

Resumo
Através do recurso a metodologias e conceitos sócio-semióticos, são aqui abordados os significados, usos e funções do Diário Gráfico, ao serviço da construção de discursos semióticos. O Diário Gráfico surge como um poderoso instrumento não só na exploração de conceitos, mas também na comunicação e representação desses mesmos conceitos, transformando-se assim num importante recurso semiótico ao serviço da construção de novos discursos. O projecto Estrada Nacional Nº2, levado a cabo por João Catarino, será analisado com o intuito de perceber os usos e funções associados a este objecto e, dessa forma, justificar o seu potencial semiótico.

Palavras-chave
Semiótica, Sócio-Semiótica, Diário Gráfico, Comunicação Visual, Cultura Visual.

FOTOpad


fotopad
De uma colaboração com o Centro Atlântico e o fotógrafo Joel Santos, nasceu o FOTOpad. Lançamento marcado para dia 19 de Abril às 18h30 na Fnac do NorteShopping (Porto), às 21h30 na Fnac em Braga, dia 20 às 18h30 na ColorFoto (Av. Igreja, 39 – Alvalade) e 21h30 na Fnac do Colombo (Lisboa).

Urban Sketchers em Lisboa

Urban Sketchers em Lisboa
Urban Sketchers em Lisboa
Urban Sketchers em Lisboa
barão de quintela
Rossio
É com muito prazer que vejo dois registos meus publicados no livro dos “Urban Sketchers em Lisboa: desenhando a cidade”. O Simpósio Internacional reuniu cerca de 300 Urban Sketchers vindos de todo o mundo. Foi uma experiência que deixou muita vontade de repetir. Durante 3 dias falou-se, comeu-se e respirou-se desenho e Urban Sketching. Partilharam-se desenhos, experiências, opiniões, saberes, etc… Correm rumores de que para o ano é em Singapura…* Obrigado aos quatro organizadores que tanto deram a este evento: Eduardo, Filipe, Mário e Pedro. Obrigado a todos os instrutores dos workshops, em especial aqueles com quem tive um contacto mais directo: ao Manuel João Ramos, ao João Catarino, ao Asnee Tasne, à Melanie Reim, à Angela Luzia, ao Pedro Cabral, ao Frank Ching, ao Jacek Krenz e ao Matthew Brehm.

* Está confirmado. O III Simpósio Internacional dos Urban Sketchers irá decorrer em Santo Domingo, a capital da República Dominicana, nos dias 12, 13 e 14 de Julho.

Ciclo de Conferências A Viagem e o Diário Gráfico


Durante os meses de Fevereiro e Março, no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa, irá decorrer um Ciclo de Conferências intitulado “A Viagem e o Diário Gráfico”. Para consultarem o programa e saberem mais detalhes sobre estas comunicações, consultem o blog do Museu do Carmo.

Dia 14 de Fevereiro lá estarei com uma comunicação intitulada “Do registo privado à esfera pública. O Diário Gráfico enquanto meio de expressão e comunicação visual”.

Desenho de Eduardo Salavisa, “Naves das Ruínas do Carmo”, via Serviço Educativo do Museu Arqueológico do Carmo.