Comunicação em Castelo Branco

Encontro Castelo Branco
31 de Maio estarei em Castelo Branco para fazer uma comunicação sobre “As Imagens, a Cultura Visual e os Diários Gráficos.”, num encontro organizado pelos Urban Sketchers Portugal Beiras, com o apoio dos Urban Sketchers Portugal, Junta de Freguesia de Castelo Branco e do Agrupamento de Escolas Nuno Álvares.

31st May I will be in Castelo Branco giving a speech about “The Images, the Visual Culture and the Graphic Diaries.”, in a meeting organised by the Urban Sketchers Portugal Beiras, with the support of Urban Sketchers Portugal, Junta de Freguesia de Castelo Branco and Agrupamento de Escolas Nuno Álvares.

Encontro e comunicação em Castelo Branco

Encontro USk Castelo Branco
Este fim de semana, 22 e 23 de Junho, estarei em Castelo Branco para participar no 40º Encontro de Diários Gráficos (este Ibérico) e fazer uma comunicação sobre a minha actividade de investigação em torno dos Diários Gráficos Digitais, juntamente com Alvaro Carnicero, Cristina Urdiales, Mário Linhares, Mariana Martins, Vitor Mingacho & Alexandra Belo, entre outros. Apareçam!
Inscrições para: encontro.usk.cbranco@gmail.com

A Narrativa Transmédia

A comunicação contemporânea é marcada não só pela hibridização de média (Santaella, 2008; Machado, 1993) como também pela participação e colaboração do utilizador/leitor/consumidor, transformando-o numa espécie de produtor/co-autor. A Narrativa transmédia é uma forma particular de comunicar que surge neste contexto de complementaridade entre os diversos média. Como consequência das novas formas de consumo de informação ou como estratégia por parte das indústrias culturais para conseguirem chegar de forma mais eficaz às massas, este tipo de narrativa é uma realidade que deve ser analisada com atenção. A forma como produzimos e consumimos informação sofre transformações ao longo dos tempos e, nesse sentido, a narrativa transmédia é mais um reflexo desse comportamento. Continue reading »

Cultura da Convergência

A cibercultura nasce com as tecnologias digitais, numa convergência entre as telecomunicações e a informática, nos anos 70. Um factor importante no seu desenvolvimento é a noção de sociedade em rede. Efectivamente, com esta sociedade conectada, passa-se a habitar um espaço virtual, interagindo, onde se produz e consome informação. No entanto, este espaço virtual está ligado a um processo de desmaterialização do mundo, em que torna-se evidente na transposição de um quotidiano físico para um quotidiano virtual, onde não só a noção comum de espaço é, de repente, abalada, como também a noção de distância virtual passa a ter um significado bastante diferente de distância física, na sua relação com a noção de tempo. Continue reading »

O corpo biocibernético e o advento do pós-humano

A forma como vemos o corpo, como interagimos com ele, como o usamos, como o representamos, etc., enquanto recurso semiótico de comunicação, está ligada a todo um contexto de desenvolvimento cultural e apresenta-se associado a diferentes discursos semióticos que têm raízes nos seus usos passados que acabam por moldar o potencial semiótico presente. No seio deste desenvolvimento, em particular o desenvolvimento científico e tecnológico, surge, no início do presente século, um tipo de corpo denominado de corpo biocibernético. Um corpo “… híbrido entre o orgânico e o maquínico…” que nos leva à “… convicção de que o ser humano já está imerso em uma era pós-biológica, pós-humana.” (Santaella, 2003:182) Continue reading »

Máquinas Semióticas

A imagem produzida através de meios tecnológicos não é apenas algo que deverá estar associado ao sentido comum que se dá a “novas tecnologias”. Neste contexto, as imagens surgem associadas a um tipo de produção que está ligado, essencialmente, às tecnologias “maquínicas”. Como refere Dubois (2004:31), em termos históricos, a produção de imagens sempre esteve associada a determinadas tecnologias.

Techné está associada à arte do fazer humano e, assim sendo, esta necessita de instrumentos (regras, processos, materiais, construções, peças) e de um funcionamento (processo, dinâmica, acção, agenciamento, jogo). (Dubois, 2004:33)

Explorando a relação entre técnica e estética, Dubois centra-se em quatro “máquinas de imagens”: a fotografia, o cinematógrafo, a televisão/vídeo e a imagem informática. O autor acrescenta que, na realidade, estas tecnologias, no contexto da sua novidade, não fizeram nada mais do que “… repor na ordem do dia antigas questões de representação, reactualizando (num sentido nem sempre inovador) velhos desafios da figuração.” (2004:34) Neste sentido Dubois desconstroi o discurso semiótico da novidade que acompanha o surgimento das tecnologias.

Segundo o autor (2004:35), este discurso da novidade, associado a uma “intenção revolucionária”, apoia-se numa retórica e numa ideologia. Ora serve de “gancho”, numa lógica publicitária, ora apoia-se num profetismo, numa visão sobre um futuro. Está em causa uma ideologia de ruptura (recusa da história) e uma ideologia do progresso contínuo (cego). Continue reading »

Máquina e Imaginário

Machado começa com um retrato sobre o panorama artístico pós-moderno no que respeita ao cruzamento entre as tecnologias e a arte. Começa com as estéticas informacionais, nos anos 60, que ambicionaram a criação de modelos matemáticos capazes de avaliar a obra de arte, não só contemporânea mas igualmente obras de outros tempos. No entanto, é na produção artística que “… baseia os seus princípios formativos no computador ou na sua maneira de operar” (Machado, 1993:21) que estes modelos estão mais centrados. Machado refere que a existência das estéticas informacionais derivam destas obras resultando numa “informatização da produção artística.” (1993:21) Seguidamente passa pelo movimento de vídeo-arte, nos EUA, que, apesar de partilhar igualmente um interesse pelas tecnologias, segue um caminho oposto, na direcção de um irracionalismo assumido e de uma elevação espiritualizante. (Machado, 1993:22) Este movimento, ligado ao fenómeno de contra-cultura e aos movimentos de contestação da Nova Esquerda americana, procura “… desintegrar a imagem especular consistente produzida pelos dispositivos tecnológicos e intervir directamente sobre o fluxo dos eléctrons, criando configurações e texturas desvinculadas de qualquer homologia com um modelo exterior.” (1993:22) Por fim, termina na exposição Surveillance (1987), em Los Angeles, onde os artistas usavam a tecnologia enquanto recurso no sentido de este se auto-destruir, se auto-corromper. O objectivo passava por uma “conspiração contra a máquina” em que a tecnologia usada pelo poder institucional para controlo e disciplina dos cidadão surgia como algo programavel de forma a se auto-destruir. (Machado, 1993:23) Segundo o autor, “É como se os artistas de Surveillance se propusessem o seguinte: eis como se pode, cumprindo exactamente as potencialidades da máquina, obter resultados para os quais ela não está programada e que lhe são inapelavelmente destrutivos.” (1993:23)

Machado conclui que poderá ser mais interessante “… aplicar à arte produzida com recursos tecnológicos o mesmo raciocínio que Walter Benjamin (1968:72) aplicou à fotografia e ao cinema: o problema não é saber se ainda podemos considerar ‘artísticos’ objectos e eventos tais como um holograma, um espectáculo de telecomunicações, um gráfico de computador ou um software de composição musical. O que importa é perceber que a existência mesma dessas obras […] colocam em crise os conceitos tradicionais e anteriores sobre o fenómeno artístico, exigindo formulações mais adequadas à nova sensibilidade que agora emerge.” (1993:24) Continue reading »

A reprodução mecânica

O processo de mecanização dos processos, decorrente da revolução industrial, revolucionou diversos aspectos do quotidiano do Homem. Na arte, as consequência são igualmente profundas. Até aqui a obra de arte poderia ser reproduzida através de processos manuais. No entanto, a reprodução mecanizada representa algo novo. (Benjamin, 2010:13)

A reprodução mecanizada, desde a Gravura, passando pela litografia e posteriormente com a fotografia, altera os significados associados à obra de Arte. Altera o seu valor de verdade (Cruz, 2012; Leeuwen, 2005) Segundo Benjamin, à reprodução falta-lhe o “aqui e agora” da obra de arte, o seu hic et nunc. (2010:14) Este “aqui e agora” está associado à existência da obra num determinado espaço e tempo. Veja-se, por exemplo, como Mónica Cid fala no “aqui e agora” do desenho sublinhando o seu valor de verdade, autenticidade, objectividade, entre outros. Segundo a perspectiva de Benjamin, a obra reproduzida perde o seu valor de autenticidade pois ela é a sua cópia. “O hic et nunc do original forma o conteúdo da noção de autenticidade…” (2010:15) Continue reading »