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Normalmente uso cadernos “nobres”… capa dura, papel com gramagem alta, ligeiramente texturado, etc. No simpósio em Lisboa, em conversa com o João Catarino, falava-lhe na relação de amor/ódio que mantinha com estes cadernos. Por serem muito bons, por vezes, criam insegurança e inibição, como se a página branca dissesse: “Ok… podes desenhar. Mas cuidado! Calma. As coisas não podem sair muito más…”. Claro que usar estas páginas para apontamentos corriqueiros do dia-a-dia está completamente fora de questão! É uma ditadura. O João respondeu-me: “Pois… ainda não lhe perdeste o respeito.”

É isso. É ter demasiado respeito por um caderno que é demasiado nobre. Solução? Fui à procura de um caderno bem menos nobre, pelo qual não tivesse respeito absolutamente nenhum. Queria um caderno que fosse realmente um diário gráfico. Onde fizesse não só os registos como também todos os gatafunhos inerentes a este objecto. Dos números de telefone, passando por pequenos apontamentos e citações, até ao ponto de gastar páginas porque a caneta simplesmente está a falhar.

Encontrei-o no Continente… uma imitação foleira de Moleskine, da marca Book.It (marca lançada pelo grupo Sonae para artigos de papelaria). Custou €3.99! Muito pouco nobre, o papel é MESMO foleiro, e até o cheiro era pouco agradável assim que o abri.

Enfim, não tenho um pingo de respeito por ele e estou a adorá-lo por isso! O registo é livre, espontâneo e finalmente deixei de andar com dois cadernos.

O próximo passo será encontrar um equilíbrio entre os dois extremos. Acho que já tenho ali um candidato na prateleira com papel Inart de 120gr… (obrigado Ketta)

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